correspondência entre joão gaspar simões e jorge de sena

Sai este mês, pelos bons ofícios da editora Guerra & Paz, a edição da correspondência entre Jorge de Sena e João Gaspar Simões, amigo e companheiro de Delfim Santos desde os inícios dos anos 30 – época pioneira do ‘presencismo’ – e tempos de ambos como estudantes em Coimbra, um terminando o seu longo curso de dez anos na Faculdade de Direito em julho de 1931, o outro iniciando em outubro desse ano, na Faculdade de Letras, as cadeiras pedagógicas essenciais para a sua carreira de professor dos liceus. Gaspar Simões seria constante convivente de Delfim Santos – sobretudo desde finais dos anos cinquenta até à morte do amigo – tornando-se mesmo seu compadre quando nasceu o último filho de Delfim Santos, aliás o organizador desta edição.

Teria eventualmente sido por via de Adolfo Casais Monteiro, o terceiro diretor da presença e condiscípulo de Delfim Santos no Porto, que teria nascido a amizade com os outros dois diretores da mítica “folha”, Gaspar Simões e José Régio? É certo, porém, que Delfim Santos mantinha próximo convívio (epistolarmente copioso também) com outros dois seus condiscípulos portuenses que integravam o círculo próximo de José Régio: Álvaro Ribeiro e José Marinho. Só com mais edições de carteios poderão estes percursos ser fielmente reconstituídos.

Delfim Santos foi a única figura da universidade portuguesa que acolheria plenamente a presença e o seu programa estético, num tempo aliás em que os escritores e as universidades estavam de costas totalmente voltadas, isto porque a outra figura universitária interessada pelos movimentos literários do seu tempo, Vitorino Nemésio, alimentava uma difícil relação de rivalidade com José Régio.

Delfim Santos foi também o autor da fotografia que hoje ilustra a página de Gaspar Simões na wikipedia, obtida quando juntos estanciavam na casa que a pintora Maria Helena Vieira da Silva, então em Paris, conservava em Sintra, e cujas chaves deixara ao cuidado da escritora Isabel da Nóbrega, à época companheira de Gaspar Simões, com o encargo de a visitarem e arejarem aos fins de semana.

Menos conhecida é a fotografia que aqui se publica, onde figuram em pé Delfim Santos ao lado de Gaspar Simões e sentados seu filho Rodolfo Delfim Santos e Jorge Tavares Rodrigues, jornalista irmão do escritor Urbano Tavares Rodrigues (estes igualmente dois grandes amigos de Delfim Santos). O local é a varanda de um apartamento, na rua José Florindo em Cascais, que a irmã de Isabel da Nóbrega alugava para veraneio:

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Pode obter aqui a introdução ao volume:

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novo livro de josé antónio alves

José António Alves, desde há muito um estimado colaborador do Arquivo Delfim Santos, acaba de assumir o secretariado executivo da revista DELFIM SANTOS STUDIES – revista de estudos delfinianos – ao mesmo tempo que publica o seu mais recente trabalho: o livro Limites da Consciência. O meio segundo de atraso e a ilusão de liberdade.

O livro trata do fenómeno do “meio segundo de atraso”. Quanto tempo demora a sermos conscientes do mundo que nos rodeia? Limites da Consciência responde dizendo por que razão a consciência está sempre atrasada em relação às coisas que acontecem e analisa, em consequência desse atraso, a ideia polémica de que a liberdade humana é ilusória.

A relação mente-cérebro, o desfasamento temporal da consciência e a sensação de que somos livres são alguns dos enigmas mais notáveis da ciência contemporânea. Limites da Consciência relata as investigações clássicas de Helmholtz e Benjamin Libet, bem como o debate actual em torno destes assuntos.

O livro encontra-se disponível na Fnac, Bertrand, Wook, Almedina… Ao Autor os nossos mais entusiásticos parabéns.

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