polilogia
A
polilogia define-se pelo emprego excessivo de palavras, tal como a
policonia é a excessiva multiplicação de elementos (sememas icónicos)
numa imagem. Nesta polilogia não-publicitária o efeito de ruído torna-se
evidente: o excesso de precisões e limitações à proibição estatuída
acaba por desacreditá-la totalmente. |
Ampliação:
entre as técnicas de ampliação da mensagem destaca-se a polilogia. |
antiphrasis
Aqui
tem função de legenda o próprio nome da marca, contrariado pela
ilustração: não há nela cores nem união já que os fios de arame estão
dispostos de forma paralela para nunca se encontrarem. Num segundo plano
figurado, o arame farpado figura metonimicamente a separação, divisão e
fronteira. |
| A antífrase é um texto ou legenda
contrários ao que está representado na imagem. |
antithesis a)
Esta
peça publicitária de duas páginas explora a antítese do tipo
antigenis, ou masculino vs. feminino, por meio de clichés. Se bem
que a imagem da direita seja a única explicitamente genderizada («só
para homens»), esta da esquerda, pela ausência de legenda e a sua
binaridade especular, sugere a leitura antitética «só para mulheres». |
Os termos antitéticos são postos
em paralelo, não para encontrar correspondências e convergências
(sineciose) mas sim contrastes e oposições, e sem os fundir (oximoro). |
antithesis b)
Ou
símile? Como se explora visualmente a duplicatio da sujidade do
carro e da loiça, é possível uma interpretação alternativa, que aproxima
as duas metades da mensagem: «é próprio dos homens sujar e não limpar».
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synoeciosis 1
Elementos
contrastantes são conciliados na mesma acção ou espaço. Neste exemplo as
palavras são redundantes face à intenção conciliatória realizada ao
nível icónico. O oximoro surgiria se a personagem vestisse a roupa. |
A sineciose também põe em cena
dois contrários, mas une-os numa mesma acção ou situação, obtendo assim
a sua conciliação. |
synoeciosis 2
Este
conjunto de clichés contrários (matéria vs. espírito, velho vs.
novo - antigenesis) destina-se a conciliá-los pela polivalência
do elemento comum, o Apple PowerBook. Note-se a adnominatio dos
nomes «Sterling» e «Author». |
paradoxon a)
A
legenda no alto elide, na segunda frase, «a preservação da» criando
assim uma silepse implícita de «vida», primeiro tomada em sentido
figurado e depois em sentido próprio. O resultado é um paradoxo
verbal. |
O paradoxo concilia
elementos inconciliáveis, resultando num impossível-possível. Os efeitos
do paradoxo visual são muito surpreendentes - ver
imagem. |
paradoxon b)
Este
texto que completa a imagem anterior desenvolve e explora a adianoeta já
enunciada a partir do paradoxo inicial.
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prosopopoeia 1
A
garrafa da bebida é tratada como um ser humano, completando-se o anúncio
com a silepse de «enriquecida», tomada inicialmente em sentido figurado
- «enriquecida em vitaminas», - e devolvida pela imagem ao seu sentido
literal em sinédoque de um banho numa casa de banho luxuosa. |
A prosopopeia ou personificação
atribui qualidades humanas a animais e animadas ou também humanas a
objectos inanimados. |
prosopopoeia 2
A
prosopopeia vem aqui acompanhada do plebeísmo «ter pó a...», e da
silepse do termo «pó» tomado literalmente (produto) e em sentido
figurado (repulsa). O texto da base - liquida constipações - apresenta a
metáfora «liquida» entre aspas, um recurso que denuncia o uso forçado e
impróprio deste termo, neste caso um novo plebeísmo. |
prolepsis 1
Esta
criança serve para sugerir a segurança das lâminas de barbear
anunciadas. Claro que o «tôt», face à imagem, é uma meiose,
(designação desproporcionadamente menor) - este cedo não se referindo ao
dia mas à vida) ou pelo contrário a imagem pode ser tida como auxese
(exagero) de «tôt». |
Redução:
a prolepse avança no tempo, figurando coisas ou situações
necessariamente futuras face às presentes com as quais convivem. |
prolepsis 2
A
criança já calça os sapatos que lhe servirão um dia. As palavras latinas
«júnior» e «sénior» proporcionam o homoioteleuton, ou seja o
efeito de terminações iguais em palavras adjacentes ou paralelas.
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anesis
O
tricolon é repetido entediantemente (homiologia) mas no
fim é contrariado pela invocação antitética da garrafa, que guarda uma
analogia isomórfica de tipo metonímico (produto pelo produtor) com a
figura de um frade. O conjunto compõe um dulcis in fundo
(v. outros recursos). |
A ánesis enfraquece por um
elemento final antitético aquilo que tinha sido dito anteriormente. |
adnominatio
Como
o nome do produto inclui a palavra «neve» (o que na origem era uma
metáfora A de B = brancura de neve), esta é representada iconicamente.
Na heráldica chamam-se «nomes falantes» aos brasões que incluem uma
iconificação dos apelidos, frequentemente de animais. |
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Substituição:
a adnominação é a iconificação de um nome próprio por via do seu sentido
literal ou homofónico. |
metonymia
Estas
relações podem ser de causa por efeito ou de efeito por causa, e são
aqui ilustradas pela sugestão icónica do irritante som do sino provocado
por um toque metálico de um martelo, instrumento não apropriado para tal
fim (catacrese). Obtém-se assim um resultado perturbante para os
ouvidos que poderia estar na origem da cefaleia da senhora, aqui
representada, após a ingestão do remédio, em sorridente
prolepse - passe a hipálage. |
A metonímia explora relações de
contiguidade no mundo real. |
anaphora 1
A
paliconia do avião, composta com a frase suspensa (reticências),
conforma uma anáfora face às linhas verticais ou horizontais e uma
mesodiplosis
se considerarmos a sua unidade de sentido com a frase da legenda
inicial. |
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Troca:
a anáfora consiste na repetição dos mesmos signos
(lexicais ou icónicos) no começo de linhas ou alinhamentos (sintagmas),
a epístrofe no seu final e a mesodiplose no meio. |
anaphora 2
As
doze «passas da sorte» das badaladas do relógio à meia-noite de S.
Silvestre dispõem-se aqui anaforicamente em cada unidade palicónica de
«desejos». A última é excêntrica formando uma epitasis, o oposto
da anesis. |
O aquíro nasce da relação imprópria
entre a imagem e uma sua legenda desajustada, sugerindo uma identidade
que de todo não lhe corresponde, articulando termos diferentes mas não
opostos (antífrase).
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acyron
Este
aquíro é engenhosamente explorado para apresentar os brindes que se
podem obter com a compra dos objectos referidos na legenda - metonímia
de efeito por causa. |
syllepsis 1
A
silepse da palavra «abrir», usada em dois sentidos, o próprio da cápsula
e o figurado do soutien, apesar do «abrir» deste último ser já
uma metáfora morta. Existe porventura um terceiro sentido - o corpo de
uma mulher - obtido pela metonímia e sinédoque do soutien
(conteúdo por continente mais o todo pela parte). |
A silepse ocorre
quando uma mesma palavra deve ser entendida em dois ou mais sentidos,
presentes ambos no próprio anúncio. Estes podem ser próprios e
figurados, ou todos figurados mas de campos semânticos diferentes. |
syllepsis 2
Neste
caso também é da presença dos dois códigos, o icónico e o linguístico,
que nasce a silepse do verbo «tirar», numa evolução do concreto ao
abstracto, do literal ao figurado. |
syllepsis 3
Uma
silepse engenhosa: « entupido» refere-se a escritório, mas também a
nariz, já que os papéis são explicitados iconicamente como folhas de
escrever e como lenços de assoar. |
Distingue-se da adianoeta
(alusão) porque: a) a polissemia concentra-se numa palavra, e não na
totalidade da frase; b) o segundo sentido está presente no texto icónico
e/ou linguístico, |
syllepsis 4
Existe
um aquíro na legenda «creme de limpeza» e uma metáfora A é B na
estrutura do anúncio, baseada nas silepses de «leite» e de «limpeza», e
um tricolon anafórico no texto final ( três estruturas paralelas com o
mesmo início). |
syllepsis 5
A
silepse de «iluminação»: a câmara com iluminação interior e a metafórica
iluminação búdica, que permitem retratar o seu utilizador como monge
budista detentor também da Luz interior. |
- enquanto o da adianoeta remete
para algo exterior ao universo do anúncio, algo não representado. |
.synaesthesia
Este
produto destinado ao ouvido passa a ser provado pelo paladar. A
exploração da sinestesia da imagem leva no texto à metáfora das suas
características técnicas em «sabores» diversos. «Keep cool» e «brain
freeze» são expressões idiomáticas (ver infra metáfora 4) tornadas
pertinentes pela sinestesia inicial.
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| A confusão das funções entre os
sentidos («ouves o azul?») é a sinestesia. |
amphibologia
A
estrutura ambígua deste anúncio parte da falta de separação
(«pontuação») entre as imagens e a equívoca colocação da siléptica
legenda «leve-a» sobre a suposta cliente (metáfora morta) que faz nascer
a dúvida sobre o objecto da sugestão. O paralelismo semiótico da
alimentação/sexualidade é bastante explorado em certa publicidade. |
A anfibologia é uma contaminação
entre as partes de uma mensagem que provoca igualmente um segundo
sentido. |
iconismus
A
palavra «metade» é iconificada na baguette do pão e explorada no
texto, que a usa anaforicamente para atingir um climax
(crescendo). A frase final, com o antitético «inteiro», constitui uma
epitasis. |
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Mutação:
a passagem a linguagem icónica de uma ideia inicialmente
expressa por palavras é um iconismo. |
adianoeta 1
Os
fascículos sobre sexualidade sugeriram ao autor do anúncio uma frase
promocional que alude à masturbação. |
A adianoeta (alusão) é uma
expressão que para além do seu sentido patente possui um subtil segundo
sentido, diferente mas não contrário (antífrase) ao primeiro, e que tem
de ser encontrado fora do texto/imagem. |
adianoeta 2
Outra
adianoeta da esfera sexual, em que a imagem e a palavra «levantar»
remetem para a analogia dos prazeres alimentares com os sexuais. |
adianoeta 3 a)
Leituras
de segundo sentido erótico criam uma pretensa cumplicidade entre o autor
do anúncio e o leitor, obtendo a atenção e o favor deste. |
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adianoeta 3 b)
O
problema das alusões sexuais está na sua indigência de subtileza,
rebaixando a inteligência do leitor a uma carnalidade primária e
obsessiva. |
metaphora 1
A
metáfora visual A é B pode estabelecer-se de forma icónica - metamorfose
- ou textual como neste caso, construindo mentalmente relações
inexistentes no mundo exterior. Tais analogias servem para vincar e
explicitar o carácter de algo ou de alguém. |
Existem três tipos de metáfora:
A é B («És um burro»), B por A («Este camelo insultou-me»)
e A de B («tens memória de elefante») - exemplos extraídos de
metáforas animais correntes. |
metaphora
2
Metáfora de B por A em que a vitalidade sexual,
não representada, está figurada pela força do halterofilista na erecção
dos pesos. A posição do atleta face ao corpo do fundo corresponderia
também à do respectivo falo erecto, uma vez mais B por A.
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metaphora 3
A
metamorfose da garrafa em spray (A é B) sugere metaforicamente o
surto de inspiração (leitura forçada pela legenda) que adviria do
consumo da bebida, ilustrada pelos graffitis e tags
supostamente realizados sob os efeitos da sua ingestão (metonímia de
efeito por causa). |
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metaphora 4
Partindo
da metáfora A é B de «frio» por calmo - a expressão inglesa «mind
cooler» é idiomática por «calmante» - a mente demasiado arrefecida
(auxese) metamorfoseia-se em descomunal iceberg (hipérbole). Note-se
também a antífrase do nome do gelado (Solero) com a sua própria essência
(temperatura) e a paisagem polar sem calor representada.
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metaphora 5 a)
A
metáfora visual A de B produz uma criatura fantástica do tipo «quimera»,
composta de distintas partes. Neste anúncio procura-se uma sensação
visual de integração na natureza, que o produto alegadamente
proporcionaria. |
A metáfora visual A de B
substitui parte de uma imagem por outra ou parte de outra, mantendo
perfeitamente identificáveis no todo os dois elementos, não os fundindo
(A é B), nem confundindo (sínquise). |
metaphora 5 b)
Esta
imagem de umas «costas de beringela» baseia-se na metonímia de produto
final (corpo) pela sua origem (alimentos): «nós somos o que comemos»,
segundo o próprio texto.
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