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polilogia
policonia3.jpg (68159 bytes)A polilogia define-se pelo emprego excessivo de palavras, tal como a policonia é a excessiva multiplicação de elementos (sememas icónicos) numa imagem. Nesta polilogia não-publicitária o efeito de ruído torna-se evidente: o excesso de precisões e limitações à proibição estatuída acaba por desacreditá-la totalmente.
Ampliação: entre as técnicas de ampliação da mensagem destaca-se a polilogia.

antiphrasis
antithesis2.jpg (87643 bytes)
Aqui tem função de legenda o próprio nome da marca, contrariado pela ilustração: não há nela cores nem união já que os fios de arame estão dispostos de forma paralela para nunca se encontrarem. Num segundo plano figurado, o arame farpado figura metonimicamente a separação, divisão e fronteira. 

A antífrase é um texto ou legenda contrários ao que está representado na imagem.
antithesis a)
antisagogea.jpg (100519 bytes)
Esta peça publicitária de duas páginas explora a antítese do tipo antigenis, ou masculino vs. feminino, por meio de clichés. Se bem que a imagem da direita seja a única explicitamente genderizada («só para homens»), esta da esquerda, pela ausência de legenda e a sua binaridade especular, sugere a leitura antitética «só para mulheres».
Os termos antitéticos são postos em paralelo, não para encontrar correspondências e convergências (sineciose) mas sim contrastes e oposições, e sem os fundir (oximoro).

antithesis b)
antisagogeb.jpg (36888 bytes)
Ou símile? Como se explora visualmente a duplicatio da sujidade do carro e da loiça, é possível uma interpretação alternativa, que aproxima as duas metades da mensagem: «é próprio dos homens sujar e não limpar». 

synoeciosis 1
antithesis.jpg (133370 bytes)Elementos contrastantes são conciliados na mesma acção ou espaço. Neste exemplo as palavras são redundantes face à intenção conciliatória realizada ao nível icónico. O oximoro surgiria se a personagem vestisse a roupa.
A sineciose também põe em cena dois contrários, mas une-os numa mesma acção ou situação, obtendo assim a sua conciliação.

synoeciosis 2
dissimile.jpg (82978 bytes)
Este conjunto de clichés contrários (matéria vs. espírito, velho vs. novo - antigenesis) destina-se a conciliá-los pela polivalência do elemento comum, o Apple PowerBook. Note-se a adnominatio dos nomes «Sterling» e «Author».

paradoxon a)
paradox1.jpg (107489 bytes)A legenda no alto elide, na segunda frase, «a preservação da» criando assim uma silepse implícita de «vida», primeiro tomada em sentido figurado e depois em sentido próprio. O resultado é um paradoxo verbal.
O paradoxo concilia elementos inconciliáveis, resultando num impossível-possível. Os efeitos do paradoxo visual são muito surpreendentes - ver imagem.

paradoxon b)
paradox2-antanaclasis.jpg (71188 bytes)Este texto que completa a imagem anterior desenvolve e explora a adianoeta já enunciada a partir do paradoxo inicial.

prosopopoeia 1
prosopopoeia-metaphor.jpg (137387 bytes)A garrafa da bebida é tratada como um ser humano, completando-se o anúncio com a silepse de «enriquecida», tomada inicialmente em sentido figurado - «enriquecida em vitaminas», - e devolvida pela imagem ao seu sentido literal em sinédoque de um banho numa casa de banho luxuosa.
A prosopopeia ou personificação atribui qualidades humanas a animais e animadas ou também humanas a objectos inanimados.

prosopopoeia 2
syllepsis-plebeismo.jpg (129814 bytes)
A prosopopeia vem aqui acompanhada do plebeísmo «ter pó a...», e da silepse do termo «pó» tomado literalmente (produto) e em sentido figurado (repulsa). O texto da base - liquida constipações - apresenta a metáfora «liquida» entre aspas, um recurso que denuncia o uso forçado e impróprio deste termo, neste caso um novo plebeísmo.

prolepsis 1
prolepsis3.jpg (61502 bytes)Esta criança serve para sugerir a segurança das lâminas de barbear anunciadas. Claro que o «tôt», face à imagem, é uma meiose, (designação desproporcionadamente menor) - este cedo não se referindo ao dia mas à vida) ou pelo contrário a imagem pode ser tida como auxese (exagero) de «tôt». 
Redução: a prolepse avança no tempo, figurando coisas ou situações necessariamente futuras face às presentes com as quais convivem.

prolepsis 2
prolepsis2.jpg (123855 bytes)A criança já calça os sapatos que lhe servirão um dia. As palavras latinas «júnior» e «sénior» proporcionam o homoioteleuton, ou seja o efeito de terminações iguais em palavras adjacentes ou paralelas.

anesis
anesis-prosopopoeia.jpg (102340 bytes)O tricolon é repetido entediantemente (homiologia) mas no fim é contrariado pela invocação antitética da garrafa, que guarda uma analogia isomórfica de tipo metonímico (produto pelo produtor) com a figura de um frade. O conjunto compõe um dulcis in fundo (v. outros recursos).
A ánesis enfraquece por um elemento final antitético aquilo que tinha sido dito anteriormente.

adnominatio
adnominatio.jpg (111752 bytes)
Como o nome do produto inclui a palavra «neve» (o que na origem era uma metáfora A de B = brancura de neve), esta é representada iconicamente. Na heráldica chamam-se «nomes falantes» aos brasões que incluem uma iconificação dos apelidos, frequentemente de animais.

Substituição: a adnominação é a iconificação de um nome próprio por via do seu sentido literal ou homofónico.
metonymia
metonymia.jpg (52814 bytes)Estas relações podem ser de causa por efeito ou de efeito por causa, e são aqui ilustradas pela sugestão icónica do irritante som do sino provocado por um toque metálico de um martelo, instrumento não apropriado para tal fim (catacrese). Obtém-se assim um resultado perturbante para os ouvidos que poderia estar na origem da cefaleia da senhora, aqui representada, após a ingestão do remédio, em sorridente prolepse - passe a hipálage.
A metonímia explora relações de contiguidade no mundo real.

anaphora 1
anaphora.jpg (120248 bytes)A paliconia do avião, composta com a frase suspensa (reticências), conforma uma anáfora face às linhas verticais ou horizontais e uma mesodiplosis se considerarmos a sua unidade de sentido com a frase da legenda inicial.

Troca: a anáfora consiste na repetição dos mesmos signos (lexicais ou icónicos) no começo de linhas ou alinhamentos (sintagmas), a epístrofe no seu final e a mesodiplose no meio.

anaphora 2
anaphora2.jpg (29179 bytes)As doze «passas da sorte» das badaladas do relógio à meia-noite de S. Silvestre dispõem-se aqui anaforicamente em cada unidade palicónica de «desejos». A última é excêntrica formando uma epitasis, o oposto da anesis.

O aquíro nasce da relação imprópria entre a imagem e uma sua legenda desajustada, sugerindo uma identidade que de todo não lhe corresponde, articulando termos diferentes mas não opostos (antífrase).

acyron
acyron.jpg (77381 bytes)Este aquíro é engenhosamente explorado para apresentar os brindes que se podem obter com a compra dos objectos referidos na legenda - metonímia de efeito por causa.

syllepsis 1
simile.jpg (98222 bytes)A silepse da palavra «abrir», usada em dois sentidos, o próprio da cápsula e o figurado do soutien, apesar do «abrir» deste último ser já uma metáfora morta. Existe porventura um terceiro sentido - o corpo de uma mulher - obtido pela metonímia e sinédoque do soutien (conteúdo por continente mais o todo pela parte).

A silepse ocorre quando uma mesma palavra deve ser entendida em dois ou mais sentidos, presentes ambos no próprio anúncio. Estes podem ser próprios e figurados, ou todos figurados mas de campos semânticos diferentes.

syllepsis 2
antanaclasis2.jpg (102670 bytes)
Neste caso também é da presença dos dois códigos, o icónico e o linguístico, que nasce a silepse do verbo «tirar», numa evolução do concreto ao abstracto, do literal ao figurado.

syllepsis 3
conceit.jpg (88520 bytes)Uma silepse engenhosa: « entupido» refere-se a escritório, mas também a nariz, já que os papéis são explicitados iconicamente como folhas de escrever e como lenços de assoar.
Distingue-se da adianoeta (alusão) porque: a) a polissemia concentra-se numa palavra, e não na totalidade da frase; b) o segundo sentido está presente no texto icónico e/ou linguístico,

syllepsis 4
syllepsis-tricolon.jpg (142439 bytes)Existe um aquíro na legenda «creme de limpeza» e uma metáfora A é B na estrutura do anúncio, baseada nas silepses de «leite» e de «limpeza», e um tricolon anafórico no texto final ( três estruturas paralelas com o mesmo início).

syllepsis 5
metaphor.jpg (113770 bytes)A silepse de «iluminação»: a câmara com iluminação interior e a metafórica iluminação búdica, que permitem retratar o seu utilizador como monge budista detentor também da Luz interior.
- enquanto o da adianoeta remete para algo exterior ao universo do anúncio, algo não representado.

.synaesthesia
metaphora6.jpg (122542 bytes)Este produto destinado ao ouvido passa a ser provado pelo paladar. A exploração da sinestesia da imagem leva no texto à metáfora das suas características técnicas em «sabores» diversos. «Keep cool» e «brain freeze» são expressões idiomáticas (ver infra metáfora 4) tornadas pertinentes pela sinestesia inicial. 

A confusão das funções entre os sentidos («ouves o azul?») é a sinestesia.
amphibologia
amphibologia.jpg (112044 bytes)A estrutura ambígua deste anúncio parte da falta de separação («pontuação») entre as imagens e a equívoca colocação da siléptica legenda «leve-a» sobre a suposta cliente (metáfora morta) que faz nascer a dúvida sobre o objecto da sugestão. O paralelismo semiótico da alimentação/sexualidade é bastante explorado em certa publicidade.
A anfibologia é uma contaminação entre as partes de uma mensagem que provoca igualmente um segundo sentido.

iconismus
iconismus4.jpg (114031 bytes)A palavra «metade» é iconificada na baguette do pão e explorada no texto, que a usa anaforicamente para atingir um climax (crescendo). A frase final, com o antitético «inteiro», constitui uma epitasis.

Mutação: a passagem a linguagem icónica de uma ideia inicialmente expressa por palavras é um iconismo.

adianoeta 1
adianoeta2.jpg (129647 bytes)Os fascículos sobre sexualidade sugeriram ao autor do anúncio uma frase promocional que alude à masturbação. 
A adianoeta (alusão) é uma expressão que para além do seu sentido patente possui um subtil segundo sentido, diferente mas não contrário (antífrase) ao primeiro, e que tem de ser encontrado fora do texto/imagem.

adianoeta 2
adianoeta3.jpg (43004 bytes)Outra adianoeta da esfera sexual, em que a imagem e a palavra «levantar» remetem para a analogia dos prazeres alimentares com os sexuais.

adianoeta 3 a)
adianoeta4a.jpg (32624 bytes)
Leituras de segundo sentido erótico criam uma pretensa cumplicidade entre o autor do anúncio e o leitor, obtendo a atenção e o favor deste. 

adianoeta 3 b)
adianoeta4b.jpg (94375 bytes)
O problema das alusões sexuais está na sua indigência de subtileza, rebaixando a inteligência do leitor a uma carnalidade primária e obsessiva. 

metaphora 1
simile2.jpg (58010 bytes)A metáfora visual A é B pode estabelecer-se de forma icónica - metamorfose - ou textual como neste caso, construindo mentalmente relações inexistentes no mundo exterior. Tais analogias servem para vincar e explicitar o carácter de algo ou de alguém.  
Existem três tipos de metáfora: A é B («És um burro»), B por A («Este camelo insultou-me») e A de B («tens memória de elefante») - exemplos extraídos de metáforas animais correntes.

metaphor5.jpg (58494 bytes)metaphora 2
Metáfora de B por A em que a vitalidade sexual, não representada, está figurada pela força do halterofilista na erecção dos pesos. A posição do atleta face ao corpo do fundo corresponderia também à do respectivo falo erecto, uma vez mais B por A.

metaphora 3
metamorphosis.jpg (86324 bytes)A metamorfose da garrafa em spray (A é B) sugere metaforicamente o surto de inspiração (leitura forçada pela legenda) que adviria do consumo da bebida, ilustrada pelos graffitis e tags supostamente realizados sob os efeitos da sua ingestão (metonímia de efeito por causa).

metaphora 4
metaphor2.jpg (97416 bytes)Partindo da metáfora A é B de «frio» por calmo - a expressão inglesa «mind cooler» é idiomática por «calmante» - a mente demasiado arrefecida (auxese) metamorfoseia-se em descomunal iceberg (hipérbole). Note-se também a antífrase do nome do gelado (Solero) com a sua própria essência (temperatura) e a paisagem polar sem calor representada.

metaphora 5 a)
metaphora5a.jpg (97682 bytes)A metáfora visual A de B produz uma criatura fantástica do tipo «quimera», composta de distintas partes. Neste anúncio procura-se uma sensação visual de integração na natureza, que o produto alegadamente proporcionaria.
A metáfora visual A de B substitui parte de uma imagem por outra ou parte de outra, mantendo perfeitamente identificáveis no todo os dois elementos, não os fundindo (A é B), nem confundindo (sínquise).

metaphora 5 b)
metaphora5b.jpg (117387 bytes)Esta imagem de umas «costas de beringela» baseia-se na metonímia de produto final (corpo) pela sua origem (alimentos): «nós somos o que comemos», segundo o próprio texto.

 

 

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