paliconia & palilogia
Neste
caso existe uma redundância de paliconia e palilogia, já que o anúncio
repete sucessivamente tanto a imagem como a palavra. |
Ampliação:
quando se dá a simples repetição do mesmo elemento temos a paliconia
(imagens), ou palilogia (palavras), também chamada epizeuxis. |
paliconia 2
Este
exemplo não é publicitário mas sim propagandístico, unindo num mesmo
momento (synchronia) todos os cigarros que seriam habitualmente
consumidos ao longo de um dado período de tempo.
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paliconia 3
Uma
paliconia total de "horror ao vazio", excepto para dar rosto à
modelo-«consumidora». Em geral a paliconia pode denunciar uma certa
falta de imaginação, como neste caso. |
Se o mesmo elemento for repetido
apenas duas vezes temos a duplicatio, se três a triplicatio - a partir
das quatro dá-se a paliconia. |
triplicatio
É
muito mais frequente na publicidade a triplicatio que a duplicatio pois
permite um arranjo mais harmonioso e elaborado das imagens, evitando a
ambiguidade do par. |
hyperbole 1
As
hipérboles são muito frequentes em publicidade, já que as
características dos produtos tendem a ser exaltadas de forma pouco
realista. Aqui optou-se por exagerar uma das principais características
físicas do produto anunciado, o seu tamanho, pondo em cena, em
adnominatio, o próprio nome da marca - caterpillar
(escavadora). |
O aumento desmesurado das
características
de algo ou de alguém (o seu tamanho, peso, força, etc.) denomina-se
hipérbole. |
hyperbole 2
A hipérbole abdica voluntariamente da credibilidade
em favor da veemência do seu discurso. Neste anúncio ela é redundante já
que também o texto «o maior poder...» é hiperbólico. |
auxesis 1
Nesta
variante da hipérbole é o alcance da actuação dos travões que se ilustra
pelos seus efeitos no asfalto da estrada. Como os efeitos apenas são
visíveis sobre outrem, a auxese acaba por ser uma hipérbole indirecta. |
Quando são exageradas não as
características próprias mas unicamente os efeitos do sujeito
sobre um terceiro, estamos em presença de uma auxese. |
auxesis 2
Outro
exemplo em que os resultados do produto (um perfume) são levados muito
além do desejável para o seu usuário. |
policonia 1
O
perigo é que demasiadas figuras podem confundir o leitor. Note-se o
contraste da atitude dos personagens com e sem jeans, e a caracterização
negativa destes últimos, uma bdelygmia. |
Quando a
repetição é de elementos todos
diferentes
entre si, trata-se de uma policonia ou acumulação, um recurso de
uso difícil. |
policonia
2
Neste exemplo de policonia ficam bastante
claros os riscos de excessiva complexidade da imagem final aglutinante,
exigindo grande esforço para a destrinça dos seus elementos pelo leitor.
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simile 1
A
comparação é aqui obtida por simples sobreposição, provocando a
elipse
da imagem do segundo plano. Os símiles e as metáforas animais são
bastante frequentes no discurso quotidiano e no político (vejam-se os
escudos nacionais) mais ainda do que no publicitário. |
O símile explicita
uma aproximação, uma semelhança entre dois elementos distintos. É
uma comparação sugerida pela convivência dos seus dois termos. |
simile 2
Este símile aproxima as linhas do produto e da sua suposta consumidora,
numa identificação que concretiza o ideal publicitário da unidade
produto/comprador. |
simile 3
Outro
símile entre o produto e as serpentes, remetendo para a célebre parábola
do Génesis da serpente como tentadora (prosopopeia), para a silepse de
«maus» clarificada pela enumeração «pó, lama». |
Uma das formas de «violentar» a
realidade é construir paradoxos - os visuais unem de forma aberrante
elementos incompatíveis devido às suas dimensões, ou a outras
limitações, mas próximos entre si na sua natureza. |
paradoxo 1
Apesar da impossibilidade da imagem, o leitor apercebe-se de que a
banheira tem, não obstante, o elemento natural da baleia, a água. No
topo da imagem está também escrito um aenigma em forma de
antithesis. |
paradoxo 2
Outro
paradoxo visual que leva o leitor a procurar a perspectiva correcta para
a visualização do anúncio. As dúvidas só são dissipadas pela orientação
do texto. |
A prosopopeia animiza objectos inanimados, humaniza os
animais, e atribui comportamentos humanos a abstracções e ideias.
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prosopopoeia
Aqui
a imagem da garrafa imita a dos atletas pela posição da toalha.
Partiu-se de uma metonímia (o adereço pelo seu usuário) para a
construção desta prosopopeia. |
synchisis
O
resultado visual de uma sínquise é sempre impressionante e de grande
efeito estético. Se apenas a falésia aparecesse pelas botas teríamos uma
metonímia de objecto pela função (lugar de uso). |
Quando uma metáfora ou sinérese
vão mais longe e os elementos em presença não se juntam ou fundem mas
confundem-se, não se sabendo bem quais os limites de cada um,
chegamos à sínquise. |
synchisis 2
A
sínquise envolve uma grande criatividade, mas a sua leitura não é
imediata, o que pode prejudicar a mensagem. Aqui o carro será «parte da
estrada» (positivo) ou «árido como a paisagem» (negativo)? O texto
apresenta uma paronomásia
entre «curvas» e «coisas». |
synchisis 3
Nesta
outra sínquise o produto e o seu consumidor acabam confundidos
fisicamente, levando a um extremo a assimilação publicitária abusiva do
produto com o comprador. |
--> Na sínquise 4 o
produto são jogos de futebol para computador. Como o monitor toma parte
no desafio, confundem-se os vários planos da significação e da sua
referência. |
synchisis 4
A
esse processo de circularidade ou remissão ad infinitum dá-se o
nome de mise en abime. Note-se contudo que o encaixe não é total,
dado que a imagem do monitor não corresponde à do seu exterior, e
estamos assim em presença de uma prolepse. |
ellipsis
Assiste-se
à elipse das calças da maestrina, porém o leitor consegue
reconstitui-las pela visão metonímica (conteúdo por continente) das suas
pernas. Se estas não estivessem presentes dava-se uma apócope. |
Redução:
a elipse subtrai ou oculta por sobreposição um dos elementos
da imagem, reconstituível pelo seu contexto. Quando é parte da
imagem que está ausente temos a aférese (topo), a síncope
(medial) e a apócope (final). |
ellipsis 2
Esta
é uma elipse por sobreposição. Se a imagem fosse interrompida a meio (em
vazio) e não simplesmente tapada, teríamos uma síncope (salvo seja!). |
antilogia 1 a)
A
imagem representa uma antilogia múltipla baseada na antítese entre as
duas gerações presentes na noite de Natal trocando os seus papéis, sendo
o idoso que recebe uma prenda... para jovens (contradição de gerações e
de gostos). |
Substituição:
uma imagem em contradição com o esperado, ainda que seja
possível, constitui uma antilogia. |
antilogia 1 b)
Troca-se
também a habitual função social das duas raças em presença com o mordomo
de raça branca (contradição de papeis sociais). |
antilogia 2
Esta imagem, ainda que trucada, não seria de todo
impossível de obter na realidade (verosímil); esta antilogia baseia-se
em duas contradições: uma espacial (casa vs. pista de obstáculos) e
outra de orientação (movimento para a direita vs. movimento para a
frente). |
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antilogia 3
A
antilogia é aqui de enquadramento, Itália vs. América, e de adereços, a
vaca pelo cavalo e a guitarra espanhola pelo banjo dos cowboys. |
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metonymia 1
A
garrafa contém uma substância que provém da serra do Gerês (a água) e
esta que é representada aqui em seu lugar. Temos a metonímia do produto
(água) pela sua origem (serra), do conteúdo (água) pelos continentes
(garrafa e serra), da parte (água) pelo todo (serra) (synekdoche).
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A metonímia pode substituir quer
um continente por um conteúdo ou um conteúdo por um continente, entre
muitas outras operações baseadas na contiguidade
entre ambos os elementos. |
metonymia 2
Esta
metonímia conjuga-se com outros processos retóricos: se o soutien
é metonímia de conteúdo pelo seu continente, também se explora a silepse
de «olhar» - «olhar por si» - (s. figurado e explícito) e «olhar para
si» (s. próprio e implícito).
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antistasis
A figura repetida está aqui orientada na direcção
oposto à da primeira. |
Troca:
obtém-se a antístase quando um mesmo elemento é repetido num
sentido contrário ao inicial. |
catachresis
Obviamente
um cognac não é um creme dermatológico para refrescar a pele. O uso
inapropriado de algo corresponde à catacrese verbal, o uso erróneo de
palavras ou expressões.
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| A catacrese acontece quando a
imagem ilustra um uso impróprio do produto, mas não o seu uso
contrário, antilogia. |
synaestesia
Propriedades
apenas perceptíveis pelo gosto e pelo tacto (frescura) são aqui
transpostas para o sentido da vista. Note-se o truísmo
da frase final. |
A sinestesia substitui as funções
de uns sentidos físicos por outros, confundindo as percepções do
sujeito. |
iconismus 1
Aqui
o grafismo «demonstra», redundantemente, pela sua disposição gráfica, o
sentido do texto. Aparentemente ilustra um truísmo, mas na verdade
incorre numa dupla falácia: falsa analogia, e petitio
principii, pretensamente provando por si mesma o que lhe cabia
afinal provar - quod est demonstrandum. |
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Mutação:
quando a mensagem se torna imagem, ou depende estritamente do
seu grafismo, temos o iconismo. |
iconismus 2
As
potencialidades vibratórias deste telemóvel são iconificadas pela
vibração sugerida através pela triplicatio justaposta de alguns
dos restantes elementos gráficos do anúncio. |
Uma modalidade de iconificação é
o caligrama, a disposição artificiosa de letras ou imagens formando
outros objectos, um recurso muito usado nos poemas barrocos (ainda que o
termo seja criação de Apollinaire). |
calligramma
Pela
disposição artificiosa das imagens do produto (neste caso em paliconia,
mas podendo ser em poliptóton) obtém-se uma nova imagem final, que evoca
redundantemente as suas características «vegetais», afirmadas na legenda
com um 100% em conduplicatio (repetição em ambas as frases). |
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polyptoton 1
O
polyptoton designava inicialmente a repetição do mesmo termo mas em
diferentes casos, ou seja com terminações (desinências) diferentes. |
O poliptóton consiste na
repetição de um mesmo elemento visual com ligeiras variantes. |
polyptoton 2
Na
retórica visual designa a repetição de um mesmo motivo introduzindo-se
ligeiras variantes entre si. É uma alternativa criativa à paliconia.
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oxymoron
Aqui
a fusão é dos géneros masc. / fem. O universo de contradições evocado
explora vários clichés destes dois opostos: força vs.
graciosidade, simplicidade vs. sofisticação, rudeza vs. beleza. Há
bastantes referentes em jogo - o historial publicitário da marca, onde
abundavam raparigas em maillot, e a sugerida homossexualidade do
atleta-modelo Carl Lewis.
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O oximoro é também uma fusão, mas
de elementos contrários entre si, o que faz dele uma antítese
condensada. |
metaphora 1
Quando
é a imagem do produto que adquire traços de outro objecto (e não um
conjunto de produtos como no caligrama) dá-se uma metáfora A é B. Esta
peça faz parte de uma célebre campanha da marca Absolut quase toda
baseada na metáfora. |
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A metáfora é uma relação de mutação irreal. |
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metaphora 2
Nesta
publicidade a uma marca de leite, a consumidora é assimilada à produtora
(A é B) por meio da visualização da metamorfose da sua pele. A
vaca está assim presente pelas malhas (sinédoque) e o produto
pela sua origem (metonímia). O resultado final é contudo um
impossível-possível (paradoxo) já que a mulher também produz
leite. |
Caracteriza-se por uma analogia
de fusão que frequentemente é conjugada com outras figuras, aparecendo
comummente associada à metonímia. Para a distinção entre os 3 tipos de
metáfora ver recursos do texto e da imagem. |
metaphora 3
Explora-se
a intertextualidade com as artes plásticas (metáfora pictórica), e a sua
duplicatio (isocolon)
antitética. As rugas são representadas pelo verniz estalado dos quadros
antigos (B por A). O soraismus
está presente no uso canhestro e afectado de uma língua estrangeira na
designação do produto. |
allegoria 1
O
rato que devido ao seu movimento no ecrã recebera uma tal designação
metafórica, sofre uma animização (prosopopoeia) e comporta-se
como um rato animal, indeciso por vários lares - metáforas dos também
metafóricos addresses virtuais da Internet. Como se vê os
sentidos próprios e figurados interagem sucessivamente.
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A alegoria, ou concetto, (Lat.
permutatio)
explora as capacidades semânticas de uma metáfora original desdobrando-a
numa multiplicidade de outras metáforas. |
allegoria 2
Também
aqui se dá a exploração dos vários aspectos da metáfora do rato inicial,
até às suas últimas consequências... (uso últimas em sentido
idiomático e literal).
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