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paliconia & palilogia
epizeuxis.jpg (136286 bytes)Neste caso existe uma redundância de paliconia e palilogia, já que o anúncio repete sucessivamente tanto a imagem como a palavra.
Ampliação: quando se dá a simples repetição do mesmo elemento temos a paliconia (imagens), ou palilogia (palavras), também chamada epizeuxis. 

paliconia 2
epizeuxis2.jpg (29210 bytes)Este exemplo não é publicitário mas sim propagandístico, unindo num mesmo momento (synchronia) todos os cigarros que seriam habitualmente consumidos ao longo de um dado período de tempo.

paliconia 3
paliconia3.jpg (93145 bytes)Uma paliconia total de "horror ao vazio", excepto para dar rosto à modelo-«consumidora». Em geral a paliconia pode denunciar uma certa falta de imaginação, como neste caso.
Se o mesmo elemento for repetido apenas duas vezes temos a duplicatio, se três a triplicatio - a partir das quatro dá-se a paliconia.

triplicatio
tricolon.jpg (130179 bytes)É muito mais frequente na publicidade a triplicatio que a duplicatio pois permite um arranjo mais harmonioso e elaborado das imagens, evitando a ambiguidade do par.

hyperbole 1
hyperbole.jpg (104091 bytes)As hipérboles são muito frequentes em publicidade, já que as características dos produtos tendem a ser exaltadas de forma pouco realista. Aqui optou-se por exagerar uma das principais características físicas do produto anunciado, o seu tamanho, pondo em cena, em  adnominatio, o próprio nome da marca - caterpillar (escavadora).
O aumento desmesurado das características de algo ou de alguém (o seu tamanho, peso, força, etc.) denomina-se hipérbole. 

hyperbole 2hyperbole2.jpg (115420 bytes)
A hipérbole abdica voluntariamente da credibilidade em favor da veemência do seu discurso. Neste anúncio ela é redundante já que também o texto «o maior poder...» é hiperbólico.

auxesis 1
auxesis.jpg (93036 bytes)Nesta variante da hipérbole é o alcance da actuação dos travões que se ilustra pelos seus efeitos no asfalto da estrada. Como os efeitos apenas são visíveis sobre outrem, a auxese acaba por ser uma hipérbole indirecta.
Quando são exageradas não as características próprias mas unicamente os efeitos do sujeito sobre um terceiro,  estamos em presença de uma auxese.

auxesis 2
auxesis2.jpg (110487 bytes)
Outro exemplo em que os resultados do produto (um perfume) são levados muito além do desejável para o seu usuário.

policonia 1
accumulatio.jpg (137381 bytes)O perigo é que demasiadas figuras podem confundir o leitor. Note-se o contraste da atitude dos personagens com e sem jeans, e a caracterização negativa destes últimos, uma bdelygmia.

Quando a repetição é de elementos todos diferentes entre si, trata-se de uma policonia ou acumulação, um recurso de uso difícil.

accumulatio2.jpg (88443 bytes)policonia 2
Neste exemplo de policonia ficam bastante claros os riscos de excessiva complexidade da imagem final aglutinante, exigindo grande esforço para a destrinça dos seus elementos pelo leitor.

simile 1
simile4.jpg (92444 bytes)A comparação é aqui obtida por simples sobreposição, provocando a elipse da imagem do segundo plano. Os símiles e as metáforas animais são bastante frequentes no discurso quotidiano e no político (vejam-se os escudos nacionais) mais ainda do que no publicitário. 
O símile explicita uma aproximação, uma semelhança entre dois elementos distintos. É uma comparação sugerida pela convivência dos seus dois termos.

simile 2
simile5.jpg (61459 bytes) Este símile aproxima as linhas do produto e da sua suposta consumidora, numa identificação que concretiza o ideal publicitário da unidade produto/comprador.

simile 3
metaphor-syllepss-ironia-parabola.jpg (127804 bytes)Outro símile entre o produto e as serpentes, remetendo para a célebre parábola do Génesis da serpente como tentadora (prosopopeia), para a silepse de «maus» clarificada pela enumeração «pó, lama». 
Uma das formas de «violentar» a realidade é construir paradoxos - os visuais unem de forma aberrante elementos incompatíveis devido às suas dimensões, ou a outras limitações, mas próximos entre si na sua natureza.

paradoxo 1
aenygma-synchysis.jpg (122265 bytes)
Apesar da impossibilidade da imagem, o leitor apercebe-se de que a banheira tem, não obstante, o elemento natural da baleia, a água. No topo da imagem está também escrito um aenigma em forma de antithesis.

paradoxo 2
paradox.jpg (154150 bytes)Outro paradoxo visual que leva o leitor a procurar a perspectiva correcta para a visualização do anúncio. As dúvidas só são dissipadas pela orientação do texto.

A prosopopeia animiza objectos inanimados, humaniza os animais, e atribui comportamentos humanos a abstracções e ideias.

prosopopoeia
prosopopoeia.jpg (51902 bytes)Aqui a imagem da garrafa imita a dos atletas pela posição da toalha. Partiu-se de uma metonímia (o adereço pelo seu usuário) para a construção desta prosopopeia.

synchisis
synchysis.jpg (189650 bytes)O resultado visual de uma sínquise é sempre impressionante e de grande efeito estético. Se apenas a falésia aparecesse pelas botas teríamos uma metonímia de objecto pela função (lugar de uso). 
Quando uma metáfora ou sinérese vão mais longe e os elementos em presença não se juntam ou fundem mas confundem-se, não se sabendo bem quais os limites de cada um, chegamos à sínquise.

synchisis 2
synchysis2.jpg (116962 bytes)A sínquise  envolve uma grande criatividade, mas a sua leitura não é imediata, o que pode prejudicar a mensagem. Aqui o carro será «parte da estrada» (positivo) ou «árido como a paisagem» (negativo)? O texto apresenta uma paronomásia entre «curvas» e «coisas».

synchisis 3
synchysis3.jpg (100930 bytes)
Nesta outra sínquise o produto e o seu consumidor acabam confundidos fisicamente, levando a um extremo a assimilação publicitária abusiva do produto com o comprador.
--> Na sínquise 4 o produto são jogos de futebol para computador. Como o monitor toma parte no desafio, confundem-se os vários planos da significação e da sua referência.

synchisis 4
synchysis4.jpg (123312 bytes)A esse processo de circularidade ou remissão ad infinitum dá-se o nome de mise en abime. Note-se contudo que o encaixe não é total, dado que a imagem do monitor não corresponde à do seu exterior, e estamos assim em presença de uma prolepse

ellipsis
ellipsis4.jpg (117699 bytes)Assiste-se à elipse das calças da maestrina, porém o leitor consegue reconstitui-las pela visão metonímica (conteúdo por continente) das suas pernas. Se estas não  estivessem presentes dava-se uma apócope.
Redução: a elipse subtrai ou oculta por sobreposição um dos elementos da imagem, reconstituível pelo seu contexto. Quando é parte da imagem que está ausente temos a aférese (topo), a síncope (medial) e a apócope (final).

ellipsis 2
ellipsis2.jpg (85712 bytes)Esta é uma elipse por sobreposição. Se a imagem fosse interrompida a meio (em vazio) e não simplesmente tapada, teríamos uma síncope (salvo seja!).

antilogia 1 a)
antilogia1a.jpg (98414 bytes)A imagem representa uma antilogia múltipla baseada na antítese entre as duas gerações presentes na noite de Natal trocando os seus papéis, sendo o idoso que recebe uma prenda... para jovens (contradição de gerações e de gostos).
Substituição: uma imagem em contradição com o esperado, ainda que seja possível, constitui uma antilogia.

antilogia 1 b)
antilogia1b.jpg (97539 bytes)Troca-se também a habitual função social das duas raças em presença com o mordomo de raça branca (contradição de papeis sociais).

antilogia 2antilogia.jpg (88353 bytes)
Esta imagem, ainda que trucada, não seria de todo impossível de obter na realidade (verosímil); esta antilogia baseia-se em duas contradições: uma espacial (casa vs. pista de obstáculos) e outra de orientação (movimento para a direita vs. movimento para a frente).

antilogia 3
antilogia3.jpg (139557 bytes)A antilogia é aqui de enquadramento, Itália vs. América, e de adereços, a vaca pelo cavalo e a guitarra espanhola pelo banjo dos cowboys.

metonymia 1
metonymia2.jpg (53706 bytes)A garrafa contém uma substância que provém da serra do Gerês (a água) e esta que é representada aqui em seu lugar. Temos a metonímia do produto (água) pela sua origem (serra), do conteúdo (água) pelos continentes (garrafa e serra), da parte (água) pelo todo (serra) (synekdoche).

A metonímia pode substituir quer um continente por um conteúdo ou um conteúdo por um continente, entre muitas outras operações baseadas na contiguidade entre ambos os elementos.

metonymia 2
metonymia3.jpg (82292 bytes)Esta metonímia conjuga-se com outros processos retóricos: se o soutien é metonímia de conteúdo pelo seu continente, também se explora a silepse de «olhar» - «olhar por si» - (s. figurado e explícito) e «olhar para si» (s. próprio e implícito). 

antistasisantistasis.jpg (110286 bytes)
A figura repetida está aqui orientada na direcção oposto à da primeira.
Troca: obtém-se a antístase quando um mesmo elemento é repetido num sentido contrário ao inicial.

catachresis
catachresis.jpg (91264 bytes)
Obviamente um cognac não é um creme dermatológico para refrescar a pele. O uso inapropriado de algo corresponde à catacrese verbal, o uso erróneo de palavras ou expressões.

A catacrese acontece quando a imagem ilustra um uso impróprio do produto, mas não o seu uso contrário, antilogia. 
synaestesia
synaesthesia-truism.jpg (128217 bytes)Propriedades apenas perceptíveis pelo gosto e pelo tacto (frescura) são aqui transpostas para o sentido da vista. Note-se o truísmo da frase final.
A sinestesia substitui as funções de uns sentidos físicos por outros, confundindo as percepções do sujeito.

iconismus 1
iconification.jpg (109194 bytes)Aqui o grafismo «demonstra», redundantemente, pela sua disposição gráfica, o sentido do texto. Aparentemente ilustra um truísmo, mas na verdade incorre numa dupla falácia: falsa analogia, e petitio principii, pretensamente provando por si mesma o que lhe cabia afinal provar - quod est demonstrandum.

Mutação: quando a mensagem se torna imagem, ou depende estritamente do seu grafismo, temos o iconismo.
iconismus 2
iconismus2.jpg (133072 bytes)As potencialidades vibratórias deste telemóvel são iconificadas pela vibração sugerida através pela triplicatio justaposta de alguns dos restantes elementos gráficos do anúncio.
Uma modalidade de iconificação é o caligrama, a disposição artificiosa de letras ou imagens formando outros objectos, um recurso muito usado nos poemas barrocos (ainda que o termo seja criação de Apollinaire).

calligramma
calligramma.jpg (40565 bytes)Pela disposição artificiosa das imagens do produto (neste caso em paliconia, mas podendo ser em poliptóton) obtém-se uma nova imagem final, que evoca redundantemente as suas características «vegetais», afirmadas na legenda com um 100% em conduplicatio (repetição em ambas as frases).

polyptoton 1
polyptoton.jpg (117978 bytes)O polyptoton designava inicialmente a repetição do mesmo termo mas em diferentes casos, ou seja com terminações (desinências) diferentes.

O poliptóton consiste na repetição de um mesmo elemento visual com ligeiras variantes.

polyptoton 2
polyptoton2.jpg (98908 bytes)
Na retórica visual designa a repetição de um mesmo motivo introduzindo-se ligeiras variantes entre si. É uma alternativa criativa à paliconia.

oxymoron
oxymoron-antigenis.jpg (89633 bytes)Aqui a fusão é dos géneros masc. / fem. O universo de contradições evocado explora vários clichés destes dois opostos: força vs. graciosidade, simplicidade vs. sofisticação, rudeza vs. beleza. Há bastantes referentes em jogo - o historial publicitário da marca, onde abundavam raparigas em maillot, e a sugerida homossexualidade do atleta-modelo Carl Lewis.

O oximoro é também uma fusão, mas de elementos contrários entre si, o que faz dele uma antítese condensada.

metaphora 1
rome.jpg (22851 bytes)Quando é a imagem do produto que adquire traços de outro objecto (e não um conjunto de produtos como no caligrama) dá-se uma metáfora A é B. Esta peça faz parte de uma célebre campanha da marca Absolut quase toda baseada na metáfora. 

A metáfora é uma relação de mutação irreal.

metaphora 2
metaphora1.jpg (59083 bytes)Nesta publicidade a uma marca de leite, a consumidora é assimilada à produtora (A é B) por meio da visualização da metamorfose da sua pele. A vaca está assim presente pelas malhas (sinédoque) e o produto pela sua origem (metonímia). O resultado final é contudo um impossível-possível (paradoxo) já que a mulher também produz leite.

Caracteriza-se por uma analogia de fusão que frequentemente é conjugada com outras figuras, aparecendo comummente associada à metonímia. Para a distinção entre os 3 tipos de metáfora ver recursos do texto e da imagem.

metaphora 3
hyperbole-soraismus.jpg (118822 bytes)
Explora-se a intertextualidade com as artes plásticas (metáfora pictórica), e a sua duplicatio (isocolon) antitética. As rugas são representadas pelo verniz estalado dos quadros antigos (B por A). O soraismus está presente no uso canhestro e afectado de uma língua estrangeira na designação do produto.

allegoria 1
prosopopoeia2.jpg (105317 bytes)O rato que devido ao seu movimento no ecrã recebera uma tal designação metafórica, sofre uma animização (prosopopoeia) e comporta-se como um rato animal, indeciso por vários lares - metáforas dos também metafóricos addresses virtuais da Internet. Como se vê os sentidos próprios e figurados interagem sucessivamente.

A alegoria, ou concetto, (Lat. permutatio) explora as capacidades semânticas de uma metáfora original desdobrando-a numa multiplicidade de outras metáforas.

allegoria 2
allegoria2.jpg (88464 bytes)Também aqui se dá a exploração dos vários aspectos da metáfora do rato inicial, até às suas últimas consequências... (uso últimas em sentido idiomático e literal).

 

 

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